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Como
pensa o cão
Compreenda o melhor amigo do Homem
Por: Suzette Preiswerk da Mota Veiga
(artigo retirado do site arcadenoé.pt)
Os mal-entendidos entre homem e cão resultam
das diferentes maneiras de pensar de cada um. O homem
tem capacidade de abstrair os pensamentos, de pensar
em termos de passado, presente e futuro, e de analisar
e tirar conclusões dos acontecimentos. Mas o
cão pensa de uma forma muito mais simples e não
distingue o que é bom e o que é mau.
As
pessoas sabem que não devem matar, roubar, mentir
etc. Sabem que devem ajudar um amigo em dificuldade
e cuidar dos doentes. Mas o cão só pensa
no imediato, visto não ter capacidade de abstração
de pensamentos e, por isso, não tem uma visão
moral do que faz. No fundo, ele gosta de fazer as coisas
que ele gosta de fazer ou que ajudam a manter a sua
posição no grupo.
Só
se consegue actuar sobre o comportamento canino, se
se estimular o comportamento desejado à custa
da oferta de recompensas. Assim, o cão vai gostar
de obedecer, porque este acto está ligado a uma
sensação agradável. Em contrapartida,
deve-se repreender um comportamento errado com um castigo
que o cão consiga perceber.
Louvar
e recompensar o cão quando ele obedece e faz
um acto que queremos e repreender o seu mau comportamento
ou um acto que não aceitamos, parecem ser atitudes
muito lógicas. Mas, de facto, é justamente
nestes dois actos que as pessoas cometem os maiores
erros na educação canina, confundindo
as situações, admitindo que o cão
consiga pensar como nós, esquecendo que o animal
vê a sequência dos acontecimentos de uma
forma mais imediata.
Vamos
analisar o exemplo seguinte, para focar bem os erros
mais comuns que se cometem:
O educador chama o cão, que se encontra no fundo
de um campo a cheirar qualquer coisa que lhe agrada.
O cão ouve o chamamento, mas não mostra
nenhum interesse em vir. Só depois de muita insistência
é que o cão se aproxima, com uma expressão
ligeiramente submissa. Mas o que acontece? O educador
vai recompensar o cão por ter finalmente vindo?
Geralmente acontece o contrário, o educador repreende
o cão dizendo: Não tens vergonha, tive
que chamar-te vezes sem fim até perceberes, mereces
um castigo!
Trata-se exactamente de uma situação em
que agimos de acordo com uma lógica humana, tendo
em mente um acto passado e castigando no momento presente,
sem considerar que o cão se sente reprendido
por ter vindo ... e não pelo tempo que demorou
a vir!
Neste caso o educador deve louvar expressivamente o
cão, mesmo que este tenha levado muito tempo
a obedecer. Deste modo, o cão consegue associar
correctamente a recompensa ao acto de ter vindo até
junto do dono.
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